Bela Época


Sangue Mineiro, 1929

Você pode pensar que a produção cinematográfica brasileira é pequena, e que poucos filmes são produzidos ao ano se comparado a grandes indústrias, como a hollywoodiana, visto que menos de 14% dos longa-metragens são produzidos no país. Porém, se compararmos ao início da indústria do cinema local veremos que o que temos hoje é gigantesco.
No início de 1900, aproximadamente em Junho de 1911, em uma era conhecida como Bela Época, a Companhia Cinematográfica Brasileira (única existente na década) exibia somente filmes produzidos na Europa e nos Estados Unidos. Isso ocorria devido o patenteamento dos filmes virgens (eram muito caros), o monopólio das salas exibidoras, a quebra da relação produção/exibição (ou seja, não eram produzidos filmes nacionais, a indústria apenas comprava os filmes estrangeiros que saía muito mais barato do que produzir, eram mais viáveis e davam lucro) e, então, o mercado brasileiro se viu submisso ao estrangeiro.
Central do Brasil, 1998
Central do Brasil, 1998
Mas, com sorte, nos anos de 1910, surgiram iniciativas isoladas de cineastas amadores que espontaneamente produziram filmes no afastamento e precariedade totais. Muitos desses produtores independentes foram responsáveis pela manutenção de uma pequena produção que não deixou o cinema brasileiro morrer. Enquanto os “cineastas” daBela Época eram arrivistas, os dos ciclos regionais foram aficionados e idealistas.
A produção ainda é modesta e relativamente precária, mas um cinema moderno, com roteiros bem desenvolvidos e temáticas envolventes vem crescendo e conquistando o seu lugar no mercado mundial, lançando longas aclamados por crítica e público, como Cidade de DeusCentral do Brasil e outros. Nomes como Walter Salles e Fernando Meirelles vem se firmando e mostrando que são dignos de se igualarem aos diretores mais premiados de Hollywood.

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