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300

Monstro X humano A realidade para quem nascia defeituoso em Esparta, Grécia, não era nada fácil, crianças que não eram consideradas “normais” e que apresentassem qualquer tipo de problema físico ou deformidade eram jogadas do monte sagrado, pois a comunidade estaria se livrando assim de uma raça inferior e caminhando para a almejada eugenia (só os bens nascidos, bonitos e guerreiros dominariam aquela civilização). Esse triste fato é retratado no filme 300 (direção de Zack Snyder , 2006) , onde além da guerra principal entre espartanos e persas, a batalha mais importante talvez, fosse a dos bem-nascidos e normais versus os deformados, que eram considerados monstros .   O próprio rei Leônidas ( Gerard Butler ) quase foi sacrificado por ter um defeito em uma de suas mãos, sendo salvo deste destino cruel pelo fato de um o sacerdote ter previsto um grande futuro para ele. Segundo os textos abordados neste módulo: Monstros e monstruosidades em As traquínias de Sófocle...

Se Eu Ficar

Acho muito limitado analisar o filme Se eu Ficar ( If I Stay , 2014) como um concorrente direto de A Culpa é das estrelas , e taxa-lo como apenas mais um drama romântico adolescente, como em muitas críticas que vi por aí. A trama vai muito além, tem tantos pontos a ser pensados e refletidos, tanta coisa que você traz pra própria vida...   Assim como asseguraram Chloë Grace Moretz , que dá vida a protagonista Mia Hall – e que mais uma vez mostra o seu talento e potencial como uma brilhante atriz de hollywwod -, e o diretor R.J. Cutler , a adaptação ao cinema do romance homônimo de Gayle Forman não é apenas mais um drama adolescente. A roteirista Shauna Cross consegue realizar um trabalho excepcional de roteiro adaptado; este é pensado de forma a preencher todas as lacunas que o livro possui. Ainda não houve subversão do gênero, porém o filme é metalinguístico misturando cinema, música e vida. A paixão da protagonista Mia Hall pelo seu violoncelo e pelo perfeccionis...

A Pele: o retrato imaginário de Diane Arbus

O grotesco fascinante através do olhar de Diane Arbus O filme A Pele: o retrato imaginário de Diane Arbus ( Fur: An Imaginary Portrait of   Diane Arbus , 2006) é inspirado em uma das mais importantes fotógrafas norte-americanas, Diane Arbus, sensível ao incomum, que enxergava o belo no feio, se seduzia pelo diferente, pela multiplicidade das pessoas, “para quem a vida se faz, oscila e se transforma naturalmente em sua variabilidade” (Cibelle Jovem Leal e Ivone Agra Brandão, p.2). O longa-metragem se passa na década de 1950, mais precisamente no ano de 1958, em Nova York, onde Diane é assistente do seu marido, o fotógrafo Allan Arbus. Esposa dedicada e mãe de duas filhas, Diane direciona toda sua atenção ao esposo e, principalmente à família; uma mulher comum como as demais de sua época, “a não ser por um detalhe: o gosto pelo excêntrico, sentimento que ficou por muito tempo enrustido por ela possuir uma educação rígida por parte de sua mãe, que era autoritária e...

A Onda

Reiner Wenger, personagem de  Jürgen Vogel O filme analisado da vez é o alemão A Onda ( Die Welle , 2008), tema do debate da 2ª edição do cineclube do Sinpro Goiás (onde sou mediadora). E, antes de abordar a obra em questão, é necessário explicitar as características do cinema da Alemanha. O cinema alemão atual reflete muitas das características de seu precursor, o expressionismo alemão dos anos 30, que está inserido em um contexto em que a Alemanha está em crise decorrente do resultado da 1ª Guerra Mundial. O movimento expressionista, em todas as artes (pintura, escultura, cinema...) foi uma resposta ao racionalismo alemão e buscava mostrar o lado oculto das coisas e, principalmente, pessoas. Com o final da 2ª Guerra, a Alemanha entra novamente em crise e, com isso, a sétima arte não tem grande expressão no país. Porém, a partir dos anos 60 e 70 aparecem cineastas críticos e criativos, entre eles Fassbinder, Win, Wender e Herner, que em pouco tempo se transforma...

O Que Traz Boas Novas

A crítica de hoje é sobre o filme de estreia do cineclube do Sinpro Goiás, o longa canadense O Que Traz Boas Novas ( Monsieur Lazhar , 2011), do diretor Philippe Falardeau . Possui 28 prêmios, e importantes indicações, inclusive para o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012. Antes de entrar propriamente nas peculiaridades do produto em questão, é importante ressaltar as características do cinema canadense. O Canadá e os Estados Unidos são grandes competidores não somente territoriais e em disputas capitalistas, os canadenses procuraram se divergir de seus vizinhos em todos os sentidos, inclusive na maior fonte de renda americana, o cinema. Ao contrário da indústria hollywoodiana, em que as obras audiovisuais são produzidas de forma totalmente comercial, visando o entretenimento de seus espectadores e o lucro garantido, o mercado da sétima arte canadense visa um cinema mais artístico e, principalmente, poético, que aborda a diversidade cultural do país e demais questões...

Cineclube do Sinpro Goiás

Arte customizada de minha autoria. : ) Pessoal, sei que estava sem atualizar o blog há 6 meses, uma eternidade! Prometo que vou voltar a postar regularmente. Mas foi devido a muito trabalho e estudo! Inclusive tenho uma ótima notícia para vocês: agora sou realizadora e mediadora do debate de um novo fórum de discussão audiovisual do circuito goiano, o  Cineclube do Sinpro Goiás (Sindicato dos Professores do Estado de Goiás), local onde trabalho atualmente. O evento é um espaço de reflexão e discussão para professores, estudantes e amigos que estão preocupados com a educação. Além de estudantes de cinema, cinéfilos, ou simplesmente amantes da sétima arte. A reflexão está longe das instituições educacionais, visto que estas estão mais preocupadas com a repetição do conhecimento e a entrega de receitas prontas, principalmente para o vestibular. Os jovens precisam de referências a seguir e os professores deixaram de sê-lo e se transformaram em repetidores de ...

Faroeste Caboclo

Sempre ouvia dos meus professores do curso de Comunicação Social Habilitação em Audiovisual da UEG (Universidade Estadual de Goiás) que a música Faroeste Caboclo , composta e interpretada pelo gênio da música brasileira, Renato Russo e imortalizada por sua banda, Legião Urbana é um roteiro perfeito, com começo, meio e fim, clímax, turn points (pontos de virada) e plot points (pontos de ápice) , além de ser uma história envolvente e cheia de romance. E que não seria preciso acrescentar nem retirar nada na trama, e quem se arriscasse a fazer um longa-metragem dessa canção seria muito feliz. E enquanto estava escrevendo essa crítica, o Fantástico exibiu uma reportagem com o filho do Renato Russo, Giuliano Manfredini , e ele mostrou o manuscrito da música e as anotações comprovam que Russo realmente escreveu a letra como um roteiro, colocando rubricas de tensão, clímax... Um verdadeiro tesouro da música brasileira. De fato, não tem muito segredo em adaptar aquilo que é c...