Entrevista com o cineclubista Francisco Lillo



Um cineclube pode ser definido como um espaço organizado de forma democrática, sem fins lucrativos, que estimula e incentiva o público a ver e discutir o cinema, refletindo sobre a realidade, a expressão artística, cultural e, assim o desenvolvimento intelectual. O cineclube estimula a diversidade cinematográfica, estética, narrativa e valoriza a experiência de difusão e exibição. 

Um cineclube é uma entidade social organizada com estatuto, diretoria, CNPJ, uma sede definida de exibição ou itinerantes, onde salas adaptadas em colégios, igrejas, clubes em geral, sindicatos, ou mesmo ao ar livre, podem ser utilizados para a realização das sessões e debate dos filmes. O cineclube possui uma periodicidade semanal, quinzenal ou mensal, com horários e local definidos pelo coletivo. 

A escolha e o debate dos filmes se realizam de forma participativa e respeitosa e procura a discussão intelectual, a difusão cultural, artística e recreativa, utilizando filmes comerciais ou os definidos artísticos e/ou autorais.

Os filmes exibidos podem ser originais ou copiados, alugados ou comprados e até mesmo baixados pela internet. Os cineclubes são espaços de exibição gratuita sem critérios comerciais, que apresentam filmes em curta, média ou longa-metragem, são espaços de difusão, pesquisa e crítica cinematográfica que prioriza o direito do público no acesso ao audiovisual e na experiência compartilhada em assistir cinema.

Os cineclubes difundem a linguagem, os gêneros e a diversidade entre escolas e realizadores cinematográficos, exemplificando a diversidade e a variedade de possibilidades existentes no cinema, assim como na vida. Estimulam e desenvolvem um pensamento crítico com a finalidade de transformar sua realidade. 

O cineclube nasce como um complemento às salas comerciais, que não cumpriam um papel de formação integral do público, este passa então a ser uma ferramenta importante no processo educacional, tanto do sistema formal como da educação popular informal. 

E, para compreendermos melhor o atual momento do cineclubismo no Brasil e, principalmente em Goiás, fizemos uma entrevista com Francisco Javier Lillo Biagetti, fundador do Cineclube ImigrAÇÃO, União dos Cineclubes de Goiás e de Goiânia. Além de desenvolver um trabalho dedicado à integração do cinema e a educação. 




Mais Filme: Como está o cenário cineclubista brasileiro?
Lillo: Sobre o cenário cineclubista nacional a situação está em transformação. Durante o governo do PT, houve uma preocupação de projetar os coletivos e assim os encontros de cineclubes do Conselho Nacional de Cineclubes podem ser realizado em 2015 em Itaparica, na Bahia, com representação nacional. Onde Goiás estava representado na secretaria geral. Com a falta de recursos e disparidades ideológicas o CNC a tido uma dificuldade de propor um projeto nacional para o cineclubismo.

Mais Filme: E o goiano?
Lillo: Sobre o cenário estadual. Encontramos uma situação diferente ao restante so pais. No estado nascem e morrem cineclubes a cada momento. Muitas instituições crian cineclubes como uma atividade intelectual e como firma de integrar e reunir pessoas. Nas universidades vemos projetos cineclubIstas como o Mutamba de IFG de Goiás, Laranjeiras da UEG, a Faculdade de medicina tem um cineclube e o coletivo negro da UFG criou o cineclube Kalunga. Os centros culturais têm seus cineclubes, zabrinski, catedral e o cineclube Jaó. Temos aproximadamente 40 cineclubes no Estado e estamos difundindo a criação de novos cineclubes municipais. Entre 2017 e 18 tivemos muita exposição na mídia escrita e televisiva. Os principais meios de comunicação nos tem procurado para fazer matérias e registros das atividades cineclubistas. Além disso, realizamos encontros cineclubistas nos principais festivais de cinema no estado e difundido o atuar cineclubista em diversas cidades do estado.

Mais Filme: Fale sobre a União dos Cineclubes Goianos e de Goiás.
Lillo: A criação da União e um sonho antigo dos cineclubes goianos. Retomamos em 2014 no festival de cinema se Anápolis e realizamos o encontro na vila cultural cora coralina, onde criamos estratégias e ações culturais para desenvolver o cineclubismo. Mas por temas pessoais não demos continuidade e retomamos em 2016, criamos a União de Cineclubes de Goiânia, uma entidade sem personalidade jurídica, mas com uma função operativa, organizando encontros e as atividades cineclubistas da área metropolitana.  No Fica de 2017, criamos a União de Cineclube de Goiás, uma instância política para dialogar com autoridades e projetar o cineclubismo. A sua ação é mais difícil e sua atuação está mais comprometida.

Mais Filme: Qual a importância do movimento cineclubista pra sociedade?
Lillo: A importância de um movimento cineclubista e organizar as atividades cineclubistas respeitando suas diferenças e suas opções de exibição, curadoria e projetos. O cinema e uma área agregadora, une as pessoas, questiona e faz pensar. Sendo assim, e muito importante reunir as pessoas para dialogar e disfrutar de uma das mais importantes atividades artísticas e criativas.

Mais Filme: Para quem quer fazer parte do mundo cineclubista, como fazem para entrar em contato com a União?
Lillo: As pessoas que querem conhecer mais sobre o cineclube, pode entrar em contato a partir das páginas de Facebook ou do Instagram. Participar das diversas sessões dos cineclubes goianos e se quiser criar seu próprio cineclube nos o apoiamos.
Saudações cineclubistas!

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