O futuro do cinema pós COVID-19


A pandemia do novo coronavírus (COVID-19) tem causado graves prejuízos e mudanças para todos os setores, e o cinema e o audiovisual é um deles. Com o agravamento do vírus, todos os complexos exibidores do mundo foram fechados, e até o momento não há uma data de retorno. Espectadores estão cada vez mais ansiosos pelas estreias de filme adiados, e os empresários cada vez mais preocupados.

Nesse cenário, quem vem lucrando bastante são as empresas de streamings, que se tornaram a maior alternativa de entretenimento audiovisual na ausência dos cinemas. E a Netflix, que é a líder de mercado mundial, principalmente no Brasil, é uma das poucas empresas que mais vem lucrando com a pandemia. Segundo o site O Antagonista, a empresa obteve lucro líquido de 709 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2020. O resultado é de 106% superior ao registrado no mesmo período de 2019. O número de assinantes globais da plataforma subiu de 167,1 milhões para 182,9 milhões acima dos 174 milhões projetados antes da crise sanitária. 

Para se ter uma ideia de como o COVID-19 vem mudando a história da humanidade, a maior premiação do cinema mundial, o Oscar, decidiu que, em 2021, aceitará filmes lançados exclusivamente em plataformas de streaming ou vídeo on demand (VOD) como elegíveis para a estatueta dourada. Antes, a premiação só permitia obras que tivessem estreia nas salas de cinemas. Nas categorias principais, havia mais uma restrição: era preciso ficar sete dias em cartaz em alguns pontos de exibição em Los Angeles. Com a nova regra, filmes que estrearam em qualquer meio podem concorrer, desde que estejam em plataforma on-line para os votantes da Academia, pelo menos, por 60 dias após a estreia oficial. Mais lucro ainda para a Netflix!

Agora, voltando a falar dos tradicionais complexos exibidores, esses estão procurando novas maneiras de sobreviver à crise. Focando em Goiânia, capital onde residimos, dois cinemas que são daqui, sendo eles o Multicine Cinemas e o Cine Lume, antigo Cine Ritz, cinema de rua, estão usando algumas estratégias para não falirem. 

O Multicine Cinemas, que tem sua matriz aqui na capital, no Shopping Cidade Jardim, e mais diversos complexos espalhados por todo o Brasil adotou três principais estratégias. A primeira é a campanha “O filme é em casa, mas a pipoca é de cinema”, em que incentiva os espectadores a assistirem filmes em casa devido ao isolamento social, mas pedir a pipoca com combo do Multicine pelo ifood, assim podem ter a experiência de cinema em casa. A segunda ação é a Live de Cinema, em que estão patrocinando vários cantores e duplas sertanejas, com lives beneficentes para auxílio ao novo coronavírus. E, por último, estão fazendo pesquisas com os clientes para saberem o que eles querem quando o cinema reabrir, dentre elas novidades, filmes mais esperados, etc.

Já o Cine Lume, antigo Cine Ritz, localizado no Setor Central, é um cinema de resistência, é o mais antigo cinema de Goiânia, é de rua, e a sua estratégia é apelar para o sentimental dos cinéfilos, com uma vaquinha virtual, que consiste em ajudar o cinema, já comprando ingressos adiantados, ou ajudando com alguma quantia em troca de descontos, brindes, como filmes online, camisetas, dentre outros. O título da campanha é “Ajude o cinema independente!”

Além disso, o Cinemas Lumière e outras empresas de Goiânia que nem são do ramo do cinema, como a Melg Eventos e a hamburgueria Tio Bák, estão fazendo o cinema drive in, modo de se assistir filmes dentro do carro, que foi febre nos Estados Unidos nos anos 60, e, agora, com a pandemia é uma excelente alternativa para se ir ao cinema com segurança.

Esses são os cinemas daqui que estão fazendo algo para sobreviverem, os outros estão apenas aguardando que tudo isso passe. Mas, temos uma sugestão. As empresas exibidoras deveriam se unir com as distribuidoras, para que fizessem um cinema online. O espectador compra o seu ingresso normalmente e pode assistir ao filme, lançamento, através de um link no conforto da sua casa. Assim, a indústria poderia continuar girando, e nós, cinéfilos, continuaríamos a ver os nossos filmes, felizes da vida, por mais que não seja na telona. 

Contudo é apenas uma ideia, uma divagação, e o objetivo deste artigo não é esse, e sim explanar a atual situação da indústria cinematográfica em meio a uma pandemia sem precedentes e as expectativas para o futuro. Então, falemos agora disso.

Segundo uma análise de Jim Amos, da revista Forbes, o cinema é o setor que mais pode ganhar após essa crise. Ele acredita que a audiência, após o longo recesso, estará sedenta por novos conteúdos, já que terá usufruído em demasia do conteúdo dos serviços de streaming. E, lembrando, que os cinemas estão com vários filmes super esperados pelo público, como o live action de Mulan, Um Lugar Silencioso – Parte II, 007 – Sem tempo Para Morrer, Viúva Negra, Mulher Maravilha 1984, isso só para citar alguns.
Amos avalia ainda que a exibição irá triplicar, devido a quantidade de filmes que precisam entrar em cartaz. Então, de 6 a 7 filmes por semana no terceiro e quarto trimestre, em vez de 2 a 3 longas, significa lucro significativamente mais alto de bilheteria, mais vendas na bomboniere e aumento em contratações de colaboradores.

Porém, para isso acontecer, as empresas precisarão de muita ajuda financeira, de bancos, empréstimos, e, principalmente do governo. O que aqui no Brasil está cada vez mais difícil de acontecer. Não será um processo fácil para o mundo inteiro e, não pode se esperar que os cinemas quitem todas suas dívidas após a reabertura dos cinemas, mas o cenário é sim otimista. Vamos manter as boas vibrações. 

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