Obrigada por Fumar


Baseado em livro homônimo e best seller nos EUA escrito por Christopher Buckley, Obrigada por Fumar (Thank You for Smoking, 2005) brinca com o politicamente correto, desafia com bom humor a sociedade norte-americana e mostra como usar uma notícia ruim ou simplesmente a indústria que mais mata por dia, a produção de cigarros a seu favor. O longa é preciso do começo ao fim. É uma grande aula para todas as pessoas a serem persuasivas umas com as outras. A argumentar contra tudo e todos. A retórica é que faz toda a diferença e ser persuasivo e saber se comunicar bem é a característica mais importante que um comunicador social e/ou empresários e representantes de empresas devem possuir. Questionando a liberdade e a manipulação da indústria do entretenimento por grandes corporações, o longa-metragem faz piadas com inteligência e é capaz de rir de si mesmo de uma forma desprendida e bastante divertida, brinca com assuntos sérios e retrata como a vida pode ser mais leve e que devemos sim ter esperanças, mesmo em situações completamentes obscuras. Sua visão cínica e despegada é essencial para que o filme divirta sem estar comprometido a qualquer causa. Inclusive brinca até com jornalistas sem escrúpulos que de tudo fazem para conseguir boas matérias, satirizada pela personagem Heather Holloway, interpretada por Katie Holmes, que até dorme com o protagonista para depois ferrá-lo em uma matéria.


O representante da indústria do tabaco Nick Naylor (Aaron Eckharte) faz de tudo para defender a indústria do tabaco – mesmo que para isso ele tenha que ludibriar as pessoas. O cigarro é apenas um plano de fundo para ensinar as pessoas a serem persuasivas, “Com bons argumentos, você nunca estará errado”, diz Naylor ao seu filho Joey (Cameron Bright, que recentemente atuou na saga Crepúsculo como Alec, o irmão gêmeo de Jane, do clã dos Volturi) em uma das cenas. E este é o ponto forte de toda a trama.Com falas pra lá de afiadas, consistentes e concisas, Naylor consegue convencer todos os personagens além de todos os espectadores a aceitarem suas ideias,  por mais errada que possa parecer a mensagem que transmite. 
Nick Naylor prova que o ser humano tem o poder da coersão, basta saber usar. Mas nem todos nascem com o "dom da fala" como o próprio Naylor afirma. Obrigado por fumar é, acima de tudo um jogo de palavras que se inicia desde o título e prolonga por toda a história.


Sou suspeita para falar, pois esse é o tipo de comédia que mais me agrada, ácida na medida certa, com montagem paralela e inteligente, inserções, quebras de expectativa e um roteiro contestador. Com elementos de sucesso, uma excelente e dinâmica direção de Jason Reitman, filho do diretor Ivan Reitman, que comandou Os Caça Fantasmas, e brilhante atuação de Aaron Eckharte o filme é impecável e além de transmitir impressões de mundo diverte a quem assiste. Esse eu realmente recomendo!


P.S.: Assisti esse filme na minha pós-graduação, para exemplificar como usar bem a retórica e usar uma péssima situação em uma empresa a seu favor e visualizar que para ser um bom assessor de comunicação você tem que sair bem nos acontecimentos mais terríveis e posso dizer que aprendi a lição muito bem!

Comentários

  1. No fundo o roteiro é extremamente crítico a forma como a mídia, marqueteiros e lobistas manipulam os fatos de acordo com seus objetivos.

    A imagem bem articulado de Aaron Eckhart contrasta com a famigerada indústria que ele defende.

    É um bom filme que faz pensar.

    Parabéns pelo blog.

    Até mais

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