Adrift ou Vidas à Deriva (2018)



Dirigido por Baltasar Kormákur, o filme conta a história baseada em fatos reais de Tami Oldham e Richard Sharp, que ao velejarem pelo Taiti são surpreendidos por uma terrível tempestade, onde Tami se vê sozinha após o acontecimento e tenta encontrar maneiras para salvar sua vida e a de Richard. Adrift é sem duvidas um filme sobre desastre. 




Mesmo com um plano de fundo romântico, o diretor aqui consegue o mesmo feito do seu filme anterior do gênero, Everest (2015). Seja pelas cenas do próprio desastre ou do pós-desastre, Baltasar consegue entreter e impactar os telespectadores, os colocando de forma empática nas situações vividas pelos personagens. 




Tecnicamente o filme é bastante eficaz, Robert Richardson realiza um ótimo trabalho de fotografia, manipula muito bem as luzes naturalistas e entrega beleza em grande parte de seus planos, a ponto de ser quase a principal maior qualidade que o filme possui. A trilha sonora acaba não ficando muito atrás, acompanham o filme com leveza e também ajudam a trazer emoção quando necessário. 




Dentre as qualidades que o filme carrega, vale mencionar a personagem Tami Oldham, interpretada por Shailene Woodley, que após altos e baixos, entrega porventura sua maior atuação. Além de ser uma atriz carismática, Woodley impressora ao interpretar uma personagem corajosa, independente e forte, criando um grande destaque como protagonista do longa. 




Mesmo já sendo um bom filme, Adrift poderia ter sido o maior destaque do ano até aqui. O filme peca na escassez de desenvolvimento por parte das relações dos personagens, ou suas motivações juntos. O foco é centralizado no acidente do casal e o enredo se move inteiramente em torno da tragédia. Por falta de conhecer melhor os personagens, o plano de fundo romântico acaba se tornando raso, o ponto se torna somente a sobrevivência deles e o que deveria se complementar com a preocupação pelo casal, transforma-se apenas na empatia que o telespectador cria pelas situações de riscos. 




A montagem até tenta criar uma forma de linguagem dinâmica, que ajuda a conectar as passagens de tempo com mais emoção, porém com a falta de conteúdo o recurso acaba se tornando um tanto repetitivo. Mesmo que tenha tido a oportunidade de ser mais memorável, Adrift cumpre seu papel de bom filme, com planos naturalistas e ambientações belíssimas. 




O longa te mantém entretido do inicio ao fim, seja pelas grandes cenas que causam desespero, criadas pelas situações de drama ou pela empatia à personagem em busca de sobrevivência. Um prato cheio a quem se atrai por filmes de desastre. 




 William Galdino 
@wilgaldino
Formado em Design Gráfico e apaixonado pelo cinema. Atualmente estuda artes cênicas e está sempre disposto a aprender as áreas que envolvem a sétima arte. Fã de diretores como Christopher Nolan, Denis Villeneuve, Martin Scorsese, David Fincher e apreciador de obras que de alguma forma criam impacto para a sociedade. 

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